terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Carta de Públio Lentulus

A despeito do excelente livro Há dois mil anos, de Chico Xavier e Emmanuel, onde temos segurança nas informações sobre o Cristo Jesus, circula na internet uma suposta carta de Públio Lentulus ao César. A análise criteriosa não deixa dúvida sobre a falsidade do documento, mas, o que surpreende são as incitações subliminares que tem por objetivo nos afastar do Mestre.
Confira abaixo... O texto está conforme a divulgação; a análise está em vermelho. 
Carta de Publius Lentulus Cornelius
Foi encontrada uma carta do senador Publius Lentulus Cornelius nos arquivos do Duque de Cesadini
[Não foram encontradas referências aos referidos arquivos e à existência de um ducado Cesadini. Não existiu, aparentemente, um Duque de Cesadini, pois as buscas realizadas reportam páginas apenas relativas à carta da presente análise, em blogs e sites espíritas e de outras doutrinas cristãs.]
na cidade de Roma, enviada pelo senador em Jerusalém na época de Jesus, que havia sido endereçada ao imperador romano Tibério César. Nela, há uma descrição física e moral de Jesus feita pelo senador. A carta é a seguinte:
“Sabendo que desejas conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado o profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos, em uma só palavra: é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto, e há tanta majestade no rosto, que aqueles que o veem são forçados a amá-lo ou temê-lo.
[O verbo “temer” é sinônimo de sentir medo, recear. Parece ser uma inverdade, já que não temos na literatura espírita séria este sentimento associado ao bondoso Nazareno. Os sentimentos relatados por Públio (XAVIER, F.C., Há dois mil anos, FEB, 4ª ed., Cap. V, Pg. 79 a 83) são de fascinação, emotividade ao coração, peito sufocado e opresso, estar comovido e magnetizado, admiração e espanto, e suave torpor. Nada que remeta a medo ou temor. Noutra passagem, no cap. VIII, pág. 136, durante a flagelação, “[...] os olhos encontraram os do senador, que baixou a fronte, tocado pela imorredora impressão daquela sobre-humana majestade.” Mesmo na situação limite do açoite, Públio sentiu-se compungido. Novamente, nenhum temor, nenhum medo ou receio.]
Tem os cabelos da cor amêndoa bem madura, são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes.
Tem no meio de sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso nos nazarenos, o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face, de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis.
A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio, seu olhar é muito afetuoso e grave; tem os olhos expressivos e claros, o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante,
[Uma afirmação inverídica que parece ter o objetivo de propor um distanciamento que não deve existir entre o Pastor e suas ovelhas. “Enquanto os dois apóstolos fitavam em Jesus os olhos calmos e venturosos, Zebedeu o contemplava como se tivesse à sua frente o maior profeta de seu povo” (XAVIER, F.C., Boa Nova, FEB, 37ª ed., cap. 4, pág. 32). Do mesmo livro, cap. 9, pág. 64, “Todas as criaturas fitavam o Mestre, com os olhos agradecidos e refulgentes de amor”. Não há menção na literatura espírita séria, salvo engano, que corrobore a afirmação da suposta carta.]
porque quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade.
[Novamente a sugestão de pavor, grande temor. Por que esta sugestão foi reiterada no texto? Para reforçar o paradigma de um deus punitivo?]
Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar.
[Frase que sugere ser Jesus um ser sisudo, sério, grave, circunspecto, triste, sofredor. Não procede, segundo a literatura séria. O livro Há dois mil anos cita “o sorriso divino [...]”, no cap. V, pág. 79; “[...] achavam-se ambos diante do Mestre, que os acolheu com o seu generoso e profundo sorriso.”, no cap. VII, pág. 120; “[...] o sorriso generoso tinha a complacência [...]”, no cap. IX, pág. 412.]
Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra, contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele se aproxima, verifica-se que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante à sua mãe, a qual é de uma rara beleza, não se tendo, jamais, visto por estas partes uma mulher tão bela,
[Não há indicação de encontro entre Públio e a Mãe Santíssima antes da crucificação. A suposta carta ao imperador teria sido escrita antes deste evento, de forma que a análise temporal resulta em impossibilidade do relato comparativo com a aparência de Maria.]
porém, se a majestade tua, ó César, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dá-me ordens, que não faltarei de mandá-lo o mais depressa possível.
[O senador Públio cita, na carta em análise, uma mensagem prévia de Tibério, como se o imperador tivesse solicitado ou dado a entender que gostaria de conhecer Jesus. O livro Há dois mil anos não faz nenhuma referência ao interesse do César, e o relato descrito é para Pilatos, já próximo aos eventos do Gólgota (cap. VIII, pág. 132).]
De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada.
[A expressão “nunca estudou nada” não faz sentido no contexto que a suposta carta teria sido escrita, haja vista que o senador Públio Lêntulus, segundo Emmanuel, teve apenas um encontro com Jesus, e não tinha interesse em se aprofundar na história do Mestre galileu. O conhecimento dos fatos da vida do Cristo era difundido de boca em boca principalmente na casta dos escravos. Ana, escrava da família, tinha intimidade com Lívia, esposa do senador, com quem compartilhava as informações relativas a Jesus. “- A senhora se compromete com esta demasiada tolerância, que vai ao absurdo da fraternização com os escravos – disse Públio à esposa.” (XAVIER, F.C., Há dois mil anos, FEB, 4ª ed., Cap. VII, pág. 123). Minha suspeita: expressão inserida para justificar e/ou estimular a ojeriza e resistência ao estudo sistemático dentro das casas espíritas, por parte de alguns trabalhadores. Se Jesus é modelo e guia, por que eu deveria estudar?]
Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram.
[Novamente a alusão ao medo. Treme-se, comumente, de medo ou de frio. É a terceira indicação, na suposta carta, de que devemos ter medo de Jesus. Qual a razão disso? Nos afastar do Mestre, talvez?]
Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram, jamais, tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de Tua Majestade; eu sou grandemente molestado por estes malignos hebreus.
[O duro adjetivo “malignos” dedicado aos hebreus nunca é utilizado por Públio no livro de Emmanuel/Chico. O senador se expressa, no livro Há dois mil anos, no momento de aconselhamento a Pilatos (cap. VIII, pág. 138), referindo-se ao povo hebreu como “multidão inconsciente”. Poderia a expressão “malignos hebreus” ter sido incluída no texto para acirrar o confronto histórico entre cristãos e judeus?]
Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo, aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido. Vale da Majestade tua, fidelíssimo e obrigadíssimo,”

Públius Lêntulus.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Sucos de vida

Um suco pode ser a melhor forma de iniciar o dia, já que podemos combinar vários nutrientes na sua forma natural, não alterada por aquecimento ou industrialização. Não se atenha muito às receitas prontas e altamente balanceadas: elas acabam engessando o processo criativo e experimental que podemos colocar em prática no nosso cotidiano, além de nos induzirem, muitas vezes, a beber algo que será bom apenas do estômago para baixo.

Sabemos que não precisa ser assim e que a alimentação VG pode e deve ser saborosa. Um suco vitalizante (ou qualquer nome que se queira dar), ótimo para se tomar em jejum, consiste em misturarmos folhas verdes, legumes, frutas, raízes e grãos num liquidificador, multiprocessador ou centrífuga, separando posteriormente a parte sólida do sumo com um pedaço de tecido tipo voal. Não há uma receita definida: na prática usa-se o que está disponível na época e na geladeira de nossa casa.

 Algumas opções de ingredientes:

·         Folhas verdes: alface, chicória, couve, folhas de beterraba, folhas de caruru, folhas de trigo jovem (10-12 cm altura) etc.

·         Legumes: pepino in natura (não usar em conserva), abobrinha italiana etc.

·         Frutas: laranja (sem casca), maçã (inteira), pêra (inteira), limão (pode-se usar com casca), bergamota (sem casca) etc.

·         Raízes: beterraba, cenoura, gengibre (só um pouquinho) etc.

·         Grãos: girassol, castanhas, amêndoas, trigo germinado etc.

  Algumas combinações simples, baratas e saborosas:

·         Alface, pepino, laranja, cenoura e maçã;

·         Folhas de beterraba, pêra, limão, beterraba e trigo germinado;

·         Couve, maçã e laranja – esta mistura é o carro-chefe, que pode servir de base para se acrescentar outros ingredientes.

Dica: após o suco pronto, misture uma colherinha de algum óleo extra virgem, tais como de coco, de linhaça, de macadâmia, de gergelim ou de amendoim. Esta porção de óleo não altera o sabor e melhora a absorção de nutrientes lipossolúveis em nosso organismo (vitaminas A, D, E e K, por exemplo).

 Observações:

·         Apenas acrescente água se a mistura estiver muito pastosa e o seu liquidificador não conseguir bater. Lembre-se que o melhor é tomar água pura; o suco é um alimento;

·         Os grãos não germinados (castanha, girassol etc.) devem ser deixados de molho em água na noite anterior (por oito horas); desprezar a água do molho e lavar os grãos em água corrente. Bater separadamente com um pouquinho de água ou suco para aproveitar bem as propriedades e depois coar;

·         Os horti-fruti orgânicos podem e devem ser processados com as cascas, com exceção da laranja, bergamota etc. Não retire a casca da beterraba, pepino, abobrinha, cenoura, maçã e pêra, por exemplo; apenas lave em água corrente (um fiozinho saindo da torneira) com o auxílio de uma escovinha de cerdas macias. Sempre corte ao meio, principalmente frutas e legumes, para ver se não tem algum hóspede. Se achar uma lagartinha, não desmaie e nem chame o síndico: apenas a retire gentilmente e a coloque junto ao lixo orgânico, onde ela poderá seguir seu caminho;

·         Os não-orgânicos podem ser utilizados em caráter emergencial, seguindo a via sacra: lave-os com esponja e sabão neutro assim que chegar em casa; mantenha as crianças longe deles; lave novamente em água corrente quando for utilizar; retire a casca de tudo e despreze (a casca); reze cinco Pai-Nosso e três Ave Maria; misture os não-orgânicos em seu suco e tome-o, mantendo seu terceiro chacra e sua atenção no Infinito; encomende uma missa, um despacho, uma tenda de suor e um retiro meditativo para você e para todas as pessoas que trabalham nas empresas que exploram o ramo de agrotóxicos; (;-))só para rir um pouco com coisas sérias...

·         Normalmente a maçã, a beterraba, a laranja, a pêra e a cenoura dão o nível de doçura adequado. Se você tiver crianças em casa – daquelas pequenas e daquelas grandes também – que gostam de tudo muito doce, use melado de cana-de-açúcar sem remorso: ele contém muitos sais minerais e – importantíssimo para a galera VG – ferro.

·         O exemplo arrasta; a doutrinação afasta. Se você não tiver como hábito pessoal consumir sucos vitalizantes todas as manhãs, esqueça: os que vivem com você também não terão.

 

terça-feira, 28 de abril de 2009

Proteção contra vírus da gripe

Nestes tempos de pré-pânico e caos sanitário se espalhando com rapidez, vale lembrar a auto-hemoterapia como forma de proteção a esta gripe que está se alastrando pelo planeta. Trata-se de uma terapia muito simples e barata: a retirada de sangue da veia da pessoa e a imediata injeção no músculo da mesma. Esta técnica, segundo seus criadores, estimula o sistema imunológico do organismo humano pela quadruplicação dos macrófagos durante cerca de uma semana. Os macrófagos são os responsáveis pela limpeza do organismo, eliminando bactérias, vírus e as coagulações do sangue. Uma pessoa, portanto, que fizer uma aplicação de seu sangue no músculo terá uma taxa mais alta de macrófagos no organismo e estará mais bem protegida da contaminação por vírus – como este da gripe suína – pelo período de cinco a sete dias; pode ser reaplicada semanalmente, sem contraindicações, para ampliar o período de proteção.

A técnica é baseada em prática clínica, ou seja, não foi desenvolvido um estudo científico reconhecido pelos órgãos sanitários brasileiros. Os trabalhos que embasam a auto-hemoterapia são dos médicos Jesse Teixeira, Ricardo Veronesi e Luiz Moura, sendo este o mais conhecido por sua participação no vídeo em que ensina como fazer e conta sua experiência clínica com a terapia. A ANVISA e os conselhos de medicina em geral não certificam, homologam ou recomendam a auto-hemoterapia.

O vocábulo “auto-hemoterapia” gera quase 85.000 resultados no Google, e entre os mais buscados está o vídeo com o doutor Luiz Moura produzido por Ana Martinez e Luiz Fernando Sarmento.

Eu e algumas pessoas próximas usamos como forma de prevenção há vários anos sem qualquer efeito colateral ou problema.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Novo VG em Floripa

O restaurante DAISSEN é a mais nova opção lacto-vegetariana de Florianópolis. Abre para almoço todos os dias úteis até 14h30, servindo bufê a quilo. O restaurante ocupa todo o pavimento térreo de uma casa de esquina, na Praça Getúlio Vargas (ou dos Bombeiros), ao lado do Colégio Bom Jesus (ex-Coração de Jesus).

É administrado pela comunidade Zen Budista de Floripa, que dá um atendimento atencioso e garante um cuidado extremado na escolha dos ingredientes e na preparação dos alimentos – veganos em sua maioria, mas com várias receitas que incluem laticínios.

Ótima e real opção em nossa querida cidade, que se caracteriza por divulgar quantidades superestimadas de estabelecimentos e pessoas que seguem a linha vegetariana.

Recomendo.

 

DAISSEN RESTAURANTE VEGETARIANO

Praça Getúlio Vargas, 126

Centro de Florianópolis

48 3225.8896

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Enquanto isto, no país da reclamação...

Cena Um: sujeito compra o novo telefone celular e liga para cancelar o antigo. Há mais de 10 anos é cliente da mesma empresa. Depois de dar vários sinais de descontentamento, ele decidiu mudar de companhia. A ligação para o cancelamento vai galgando departamentos até chegar a uma pessoa que oferece vantagens e benesses; mais do que ele pleiteara. Mas ele já é cliente da outra empresa. Ele pergunta ao atendente: “- Por que temos de chegar a este ponto para vocês me tratarem bem?”

Cena Dois: inquilino há dois anos e meio no mesmo apartamento envia os gastos do condomínio com melhorias do prédio para que a imobiliária desconte do aluguel pago ao proprietário. Ele faz isto todos os meses: fundo de reserva, compra de placas de identificação etc. O condomínio decide reformar os corredores do prédio e rateia o custo em oito parcelas. O inquilino envia o valor da primeira parcela e é ressarcido; envia a segunda e a imobiliária questiona o gasto, pedindo a ata de reunião do condomínio. O inquilino envia; a imobiliária nega, alegando que uma parte da reforma se encaixaria como manutenção de área comum. O inquilino argumenta por telefone, por fax e por e-mail; pede outro documento ao síndico, falando a mesma coisa – que foi um investimento para valorização do imóvel – de outra maneira. Nada funciona. As cobranças de aluguel continuam chegando sem o desconto da parcela. O inquilino decide ir pessoalmente à imobiliária; fala com a atendente e sua gerente. Argumenta com firmeza, ergue a voz e mostra os dentes. Dois dias depois recebe o novo boleto com os devidos descontos. Ele se pergunta: “Precisava chegar ao ponto de beirar a agressividade?”

Cena Três: indivíduo contratou TV, internet e telefone de uma mesma empresa, que possui uma boa qualidade nos dois primeiros e medíocre no último. Ele faz as contas e percebe que pode, com o mesmo custo, sair do pacote contratando uma linha telefônica melhor de outra empresa e ainda ampliar a quantidade de canais de TV. Solicita a portabilidade para outra companhia numa terça-feira; no dia seguinte alguém liga e marca a instalação para sexta-feira à tarde; está tudo certo e o número está liberado. No dia marcado o indivíduo fica aguardando o técnico; ninguém aparece ou liga para informar. Ele entra em contato com a empresa na segunda-feira pela manhã e dizem que alguém ligará para marcar novo horário. Ele espera. O telefone toca, mas é alguém da empresa de TV-internet-telefone, que humildemente pede uma nova chance para provar que a empresa pode oferecer telefonia de qualidade; oferece isenção da franquia por um ano; oferece desconto na taxa de internet; oferece troca do pacote de canais de TV – mais canais por um custo mais baixo. O indivíduo pensa: ”Precisava chegar a este ponto para a empresa oferecer todas estas coisas?”. Ele sabe que sim, e aceita a oferta.

Estamos em um momento da nossa vida brasileira em que se perdeu o sentido do serviço ao outro: tudo o que fazemos profissionalmente é para servir alguém, seja quando vendemos um produto ou prestamos um serviço, iniciativa privada ou pública, estamos servindo alguém; e alguém nos serve. Este deveria ser o objetivo de cada indivíduo e de cada empresa, mas foi substituído pela troca pura e simples por dinheiro. Não estou atrás do balcão de uma loja para servir alguém; estou aqui para receber meu salário no final do mês.

As empresas não estão sendo geridas para servir aos clientes, mas para apresentar resultados financeiros e dividi-los com os sócios no final do mês. Você é uma voz isolada e incômoda que vez ou outra tenta ser lembrada. Chegamos ao cúmulo de que as melhorias nos serviços e produtos têm de ser impostas por leis ou por normas das agências reguladoras.

Bons tempos aqueles em que a meta era servir bem o cliente, servir ao outro que precisa de meu produto ou serviço. Bons tempos aqueles que não precisávamos chegar ao limite extremo para conseguir algo que nos é de direito – ser bem servidos. Pensando bem, existiram estes tempos ou sempre foi por dinheiro?

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Barbárie na Suíça

A Quinta Raça-raiz – esta que fazemos parte – começou após a submersão da Atlântida, continente que ocupava grande parte do que hoje é o oceano Atlântico. A Quinta Raça iniciou milhares de anos atrás com os povos hindus, depois os persas, egípcios e gregos, até chegar à época dominada pelos anglo-saxões, que findou há pouco. O período correspondente à Quarta Raça-raiz chamou-se Atlântico; o período correspondente à Quinta deveria chamar-se Ariano de acordo com a ciência oculta, que antevê os passos da Humanidade.

Muitos povos tentaram apropriar-se da denominação “Ariano”, na esperança de serem eles os precursores e comandantes da Quinta Raça. Quem fosse o povo ariano seria o povo escolhido, o povo superior – por isto o grande esforço em tomar para si o rótulo. Mas estas não são coisas que se possa escolher por si mesmo. Não se pode, por exemplo, chegar numa agência da CEF e fazer um discurso no qual a conclusão é que você é o ganhador da mega-sena: é necessário jogar, disputar o jogo de azar com mais alguns milhões de brasileiros e ter o cartão coincidente com o resultado. Sorte. Também não se pode, logo após a formatura, abrir um escritório e colocar uma faixa dizendo “Os melhores advogados do mundo”, por exemplo. É necessário trabalho, sacrifício e talento. Merecimento, numa palavra. Obviamente existem pessoas, descendentes de determinado grupo, que evoluíram com mais rapidez que outros povos. Impossível negar que temos, vivendo ao mesmo tempo no planeta, tribos com pessoas que ainda vivem de forma rudimentar – o que deve ser respeitado –, e cidades com pessoas que tem um modo de vida avançado e moderno. São dois extremos; ambos devem ser entendidos, assim como todos os matizes evolutivos que se localizam entre eles. Quando se mencionam os conceitos de rudimentar e moderno, involuído e evoluído, não é uma referência exclusiva a vida material, embora esta seja uma métrica na equação. A evolução humana é medida pelo crescimento concomitante do que está dentro com o que está fora.

Todos os povos que bradaram serem os legítimos arianos – portanto os superiores – se equivocaram. O povo do Irã (descendentes dos persas), por exemplo, ainda faz este tipo de associação. Mas a invocação que ficou marcada na retina da Humanidade foi a do Terceiro Reich, com a ascensão de Hitler. Nazismo passou a ser igual a doutrina ariana; massacre de judeus passou a ser obra do povo ariano; etc.. A denominação ficou marcada a ferro e fogo de tal maneira que ninguém mais a quer, ninguém mais a reivindica. Bem, estes povos – alemão, austríaco, suíço, etc. – também não são os descendentes do povo que foi escolhido para guiar a Quinta Raça, mas continuam a comportar-se como se fossem.

A mistura de soberba por se tratarem de uma civilização com alto grau de desenvolvimento material, com o medo que uma desnutrição moral e ética provoca, faz com que grupos xenófobos continuem perpetuando práticas bárbaras e violentas, como esta que vitimou uma brasileira grávida na Suíça.

Pode-se argumentar que são exceções, que são uns poucos que mancham a história passada e presente de uma nação. Não são. Estes grupos são o reflexo do pensamento real e mais profundo de toda uma civilização que conserva uma máscara de correção, mas que tolera estas ações por estarem de acordo com seus mais ocultos sentimentos.

A mesma sociedade que não tolera estrangeiros nas suas ruas alicia, importa, sequestra e contrabandeia homens, mulheres e crianças do Brasil para serem modelos, jogadores de futebol, prostitutas, michês e doadores de órgãos.

A mesma sociedade que mantém uma aura de correção, civilidade, pureza, moralidade e ética, vem uma vez por ano em férias ao Brasil utilizar-se de serviços sexuais baratos e fartos, em todas as faixas etárias e modalidades imagináveis.

Todas as raças e etnias são habitantes do planeta e devem ser respeitadas. Quem sabe mais ensina os que sabem menos; quem pode ajuda os que precisam; quem tem mais compartilha com quem tem menos; os mais sábios orientam os caminhos a serem trilhados. Tão simples e, ao mesmo tempo, nos parece tão distante, não? 

sábado, 17 de janeiro de 2009

A fé por um fio

O trecho abaixo é do “Jornal de Antares”, uma espécie de diário do personagem Martim Francisco Terra, no qual há um diálogo com o jovem padre Pedro-Paulo, que fala de suas fraquezas:

“Claro, muitas vezes tenho minhas dúvidas. Não faz muito atravessei um período de tão forte crise espiritual que escrevi uma longa carta a um monsenhor que admiro e estimo, contando-lhe tudo. Usei nessa carta confessional a expressão: ‘Sinto que minha fé está presa apenas por um fio’. Sabe o que ele me respondeu? Que se regozijava por saber que a coisa era assim, pois não confiava muito nas chamadas ‘fés inabaláveis’, dessas que julgam poder deslocar montanhas. São demasiadamente teatrais para serem profundas – escreveu o monsenhor: ‘O fio que prende sua fé deve ser do melhor aço e, portanto, resistente e ao mesmo tempo flexível. Fé sem flexibilidade, fé sem dúvida pode acabar em fanatismo. ’ Terminou a carta assim: ‘Reze a Deus, peça-lhe para que faça esse fio resplandecer sempre na Sua luz’.”

Extraído do livro “Incidente em Antares”, de Erico Verissimo, Companhia de Bolso (1ª edição, 5ª reimpressão – 2006), página 197

A fé é o último muro antes de nossa derrota. Muitos seres humanos são derrotados e desistem; permanecem aguardando a morte, muitas vezes ansiando por ela, em oposição ao medo viral que ela desperta. A fé deve ser defendida com todas as nossas forças, pois é ela que sempre nos ergue e nos impulsiona adiante. Não se fala aqui de uma fé numa doutrina ou num deus específicos. Não é a fé em algo que possa ser desenhado, descrito com palavras ou fotografado. O objeto da fé é a certeza de que vale a pena continuar caminhando, e que este caminho leva a um lugar mais elevado.

Mesmo que tudo que nos cerca aponte na direção contrária.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

A Força Futura

Ao crepúsculo do século XIX uma força desconhecida deixava todos intrigados e curiosos: tratava-se do motor Keely, construído por John Worrell Keely (1837-1898), que se movimentava independente de qualquer energia conhecida na época – e ainda hoje. Keely chamava esta energia de força etérea; criou uma empresa com o aporte de capital de vários investidores e manteve um laboratório para estas pesquisas por 26 anos. Nunca houve um produto ou serviço derivado destas pesquisas que pudesse ser comercializado; a empresa nunca distribuiu dividendos e o motor Keely ainda hoje é um mistério à ciência. Obviamente, como acontece em todas as situações não compreendidas pelo homem, houve a hipótese de fraude e charlatanismo. Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891), ocultista que iniciou o movimento da Teosofia, escreveu sobre o assunto em sua obra fundamental – A Doutrina Secreta:

“A Filosofia Oculta não divulga senão um pequeno número de seus mistérios vitais mais importantes. Deixa-os cair, um por um, quais pérolas preciosas, a grandes intervalos; e só o faz, assim mesmo, quando a tal se vê compelida pela corrente evolutiva que conduz a humanidade, lentamente, silenciosamente, mas sem interrupção, para a aurora da Sexta Raça Humana. Porque, uma vez fora da custódia fiel de seus legítimos herdeiros e guardiães, tais mistérios deixam de ser ocultos, caem no domínio público e correm muita vez o risco de se converterem mais em malefícios do que em benefícios, se em mãos dos egoístas, dos Cains da raça humana. Apesar disso, quando surgem indivíduos como o descobridor da Força Etérica, homens dotados de faculdades especiais, psíquicas e mentais, são eles em geral e mais frequentemente coadjuvados, não se consentindo que sigam às tontas o seu caminho; se abandonados às próprias forças não tardariam a findar no martírio ou a tornar-se vítimas de especuladores sem escrúpulos. Mas somente são ajudados sob a condição de que não representem, consciente ou inconscientemente, um novo perigo para a sua época: um perigo para os pobres, oferecidos diariamente em holocausto pelos menos ricos aos mais ricos.”

A Doutrina Secreta, Volume II – Simbolismo Arcaico Universal, páginas 269 e 270

Motores e forças misteriosos à parte, a última frase do texto sempre me chamou a atenção, causando-me certo choque na primeira leitura. Aos poucos fui percebendo a veracidade crua desta sentença. Quem é que morre todos os dias por algum tipo de carência? Os muito ricos? Os menos ricos? Ou os pobres? Existe um holocausto diário de seres humanos miseráveis que não é contabilizado por não interessar a ninguém este tipo de estatística. Usemos como exemplo a chamada crise mundial que é tema de dez entre dez noticiários brasileiros.

Os muito ricos deixam de receber milhões de reais em bonificações e dividendos; são obrigados a adiar a troca do jato executivo para o ano seguinte e cortam os salários e promoções de seus funcionários – os menos ricos.

Os menos ricos deixam de receber alguns milhares de reais; são obrigados a adiar a troca do carro para o ano seguinte e deixam de dar a esmola de dois reais ao mendigo da rua – o pobre.

O pobre deixa de receber aqueles escassos reais diários; é obrigado a adiar suas refeições, enfraquece e morre.

A esmola de dois reais é uma redução proposital que simboliza os milhões de dólares que são enviados como ajuda humanitária aos miseráveis espalhados em todo o planeta pelos países muito e menos ricos. Quando os povos destes países são atingidos por eventos econômicos como o que vivemos, veem seus investimentos de risco perderem valor e seus empregos minguarem, a escolha é entre enviar dinheiro para alimentar pessoas que moram em países distantes ou investir no próprio país, criando empregos e salvando empresas.

Quando vejo que ainda nos movimentamos com rudimentares motores à explosão, ruidosos, fedorentos e pouco eficientes, creio que ainda teremos um longo caminho pela frente para que nos seja permitido um avanço tecnológico como o vislumbrado no motor Keely.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O menino e o chocolate

Esta foto é de uma das ruas mais atingidas de Itajaí, SC, no dia 28 de novembro, na sexta-feira em que o sol brilhou um pouco e choveu menos que os dias anteriores. Não há muito que falar ou escrever sobre a imagem, que é eloqüente por si: o olhar do menino dá a dimensão da situação em que aquela comunidade mergulhou, literalmente.

A rua tinha cerca de 200 metros e terminava no rio; casas de moradia em ambos os lados. Todas atingidas; todas com pilhas de entulho – outrora móveis, colchões, comida, roupas etc – na sua frente. Os adultos movimentando-se freneticamente – ora tentando tornar as casas habitáveis, ora tentando conseguir alimentos e água. As crianças oscilavam entre a depressão – as mais lúcidas e conscientes da situação – e a alegria fantasiosa dos dias sem aula e das brincadeiras inusitadas.

O olhar do menino fez-me sentir culpado. Como alguém pode fotografar pessoas em sofrimento? Desliguei a câmera e parei o carro. Como permanecer impessoal perante tudo aquilo que estava ao meu redor? Como abafar a certeza da impotência em auxiliar aquelas pessoas?

Não pude fazer mais que dar uma barra de chocolate ao menino, único alimento que restava. Ele olhou a embalagem diferente, intuiu o que continha e estendeu-me a pequenina mão pela janela do carro. Não trocamos palavra; não houve sorriso.

Tudo o que fizermos para ajudar estas pessoas será insuficiente – tive esta certeza.