
Ao crepúsculo do século XIX uma força desconhecida deixava todos intrigados e curiosos: tratava-se do motor Keely, construído por John Worrell Keely (1837-1898), que se movimentava independente de qualquer energia conhecida na época – e ainda hoje. Keely chamava esta energia de força etérea; criou uma empresa com o aporte de capital de vários investidores e manteve um laboratório para estas pesquisas por 26 anos. Nunca houve um produto ou serviço derivado destas pesquisas que pudesse ser comercializado; a empresa nunca distribuiu dividendos e o motor Keely ainda hoje é um mistério à ciência. Obviamente, como acontece em todas as situações não compreendidas pelo homem, houve a hipótese de fraude e charlatanismo. Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891), ocultista que iniciou o movimento da Teosofia, escreveu sobre o assunto em sua obra fundamental – A Doutrina Secreta:
“A Filosofia Oculta não divulga senão um pequeno número de seus mistérios vitais mais importantes. Deixa-os cair, um por um, quais pérolas preciosas, a grandes intervalos; e só o faz, assim mesmo, quando a tal se vê compelida pela corrente evolutiva que conduz a humanidade, lentamente, silenciosamente, mas sem interrupção, para a aurora da Sexta Raça Humana. Porque, uma vez fora da custódia fiel de seus legítimos herdeiros e guardiães, tais mistérios deixam de ser ocultos, caem no domínio público e correm muita vez o risco de se converterem mais em malefícios do que em benefícios, se em mãos dos egoístas, dos Cains da raça humana. Apesar disso, quando surgem indivíduos como o descobridor da Força Etérica, homens dotados de faculdades especiais, psíquicas e mentais, são eles em geral e mais frequentemente coadjuvados, não se consentindo que sigam às tontas o seu caminho; se abandonados às próprias forças não tardariam a findar no martírio ou a tornar-se vítimas de especuladores sem escrúpulos. Mas somente são ajudados sob a condição de que não representem, consciente ou inconscientemente, um novo perigo para a sua época: um perigo para os pobres, oferecidos diariamente em holocausto pelos menos ricos aos mais ricos.”
A Doutrina Secreta, Volume II – Simbolismo Arcaico Universal, páginas 269 e 270
Motores e forças misteriosos à parte, a última frase do texto sempre me chamou a atenção, causando-me certo choque na primeira leitura. Aos poucos fui percebendo a veracidade crua desta sentença. Quem é que morre todos os dias por algum tipo de carência? Os muito ricos? Os menos ricos? Ou os pobres? Existe um holocausto diário de seres humanos miseráveis que não é contabilizado por não interessar a ninguém este tipo de estatística. Usemos como exemplo a chamada crise mundial que é tema de dez entre dez noticiários brasileiros.
Os muito ricos deixam de receber milhões de reais em bonificações e dividendos; são obrigados a adiar a troca do jato executivo para o ano seguinte e cortam os salários e promoções de seus funcionários – os menos ricos.
Os menos ricos deixam de receber alguns milhares de reais; são obrigados a adiar a troca do carro para o ano seguinte e deixam de dar a esmola de dois reais ao mendigo da rua – o pobre.
O pobre deixa de receber aqueles escassos reais diários; é obrigado a adiar suas refeições, enfraquece e morre.
A esmola de dois reais é uma redução proposital que simboliza os milhões de dólares que são enviados como ajuda humanitária aos miseráveis espalhados em todo o planeta pelos países muito e menos ricos. Quando os povos destes países são atingidos por eventos econômicos como o que vivemos, veem seus investimentos de risco perderem valor e seus empregos minguarem, a escolha é entre enviar dinheiro para alimentar pessoas que moram em países distantes ou investir no próprio país, criando empregos e salvando empresas.
Quando vejo que ainda nos movimentamos com rudimentares motores à explosão, ruidosos, fedorentos e pouco eficientes, creio que ainda teremos um longo caminho pela frente para que nos seja permitido um avanço tecnológico como o vislumbrado no motor Keely.